Eu faço uma reverência. São tantas mãos que já não sei quais são as minhas. Não consigo precisar se o que toco é mesmo aquilo que vejo. A minha avó me contou da lembrança doce da avó dela e junto dessa lembrança veio um nome que eu nunca tinha ouvido antes. Ana. A avó da da minha avó era Ana e eu nunca soube que tinha ela para saber. Senti que foi uma descoberta tão tardia que chegou a me apavorar. As pessoas evaporam. A verdade é feita do nada no estado mais puro que palavra nenhuma pode alcançar. O verbo inicial era imperativo: Vá!
"O Senhor está aqui (ele está aqui) tão certo quanto o ar que eu respiro. (Aleluia) Tão certo quanto o amanhã que se levanta(aaaa). Tão certo quanto eu te falo e tu podes me ouvir."
Minha avó cantava assim. Ninguém precisa duvidar ou acreditar em mais nada além disso. Se a verdade não for essa, e daí? Porque ela também se dissolve e vira a pura mentira, não é?. E a mentira pura nada mais é do que nada mesmo, como o não ou o sim absolutos. Mas também, se não for, tanto faz. O verbo ainda ecoa, dissoluto, eterno, vagando a esmo. Ave Ana. Ave Maria Zezé.
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