tempo
parada escutando o som das coisas sendo ao meu redor e em mim. o colchão sob mim está sendo, solitário, estou sentindo. a estante e o aquário com a água e os tritões ibéricos e a bolota de musgo rodopiante dentro. tudo sendo, cada coisa e ao mesmo tempo. o guarda-roupa com as roupas, o guarda-chuva e a chuva que ainda vai chover, mas agora não. o céu que está mudando, alguma enxurrada, a estátua do baco plantada na praça da república, todo o tempo. só o tempo não está sendo, agora. a rua é. a cidade é. o mar é. tudo segue sendo. o cachorro na esquina, a esquina, a televisão com o tubo e os fios e a poeira, tudo o que não é o tempo, desde sempre e pra sempre, sendo. eu sinto-me ser, agora mesmo, a todo vapor e embora também sinta o tempo denso, pesado, graúdo, me lambendo a pele e os cabelos e os olhos e os órgãos e tudo o que está sendo em mim e fora, ele não está aqui. o tempo só é nada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário