admirando os veios de uma folha qualquer, como os degraus de uma escada qualquer, como os vincos de uma cara qualquer, como os tiques de um corpo qualquer, como o desenho nas ondas das águas de um rio qualquer, como a fila de carros de uma rua qualquer, estou, meio adormecida, de tanta maravilha. acreditar é fácil, compreender é fácil, mas ocupa todo o lugar. o meu lugar sou eu, adormecida, de tanta maravilha, ouvindo ainda o primeiro verbo, o do início, que ainda não terminou de ser dito, prestando muita atenção, tentando prever o final. o meu fim sou eu, despida, desprovida de qualquer medida, adormecida em meio à fantasia, de tanto ver. eu só vou acordar no último dia, somente para me despedir, nem sei de quê.
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