eu nem estou aí, para que me vejas cantar, se calhar, um pouco melhor (não tenho com o que comparar). eu não estou aí. estou antes e muito antes daqui, já em pensamento, aqui, presa na amplidão da fuga. então, se... então, se... então, se... até que eu vim. meu desejo maior nasceu de tudo o que não queria: uma mão estranha a me tocar nas vísceras, no corte, onde doía mais, onde eu não sabia e nunca soube. nos confins da última fisgada, o isolamento que não fora permitido, o que dirá respeitado. não me bastou sair do país, tenho que sair ainda mais, de dentro de mim, o desespero, às vezes, diz-me. mais uma vez permitiste-te desconsiderar, esquecer, deixar para lá. também o fiz, num instante, que passou. agora estou transbordante e mais que isso - um nome que eu ainda não sei falar - de agonia e de tristeza pela falta da clareza de minha parte, que não permite nunca que entendas o meu medo, de verdade. 




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