Se eu pudesse passava mais um dia inteiro daqueles. Cabeça apoiada na parede, corpo atravessado na cama, sem sapato pra não sujar o lençol, se houvesse. Um travesseiro sem fronha à mão, que beleza, melhorou, tava mesmo doendo o pescoço. Mais umas duas horas assim, antes de virar de lado, rosto sobre a mão direita, travesseiro sem fronha amparando a nuca e depois mudar de novo, talvez sentar. Se eu pudesse, pedia pra tocar seu hinário todo, desde o primeiro hino, que agora é o último, até o último que eu ainda não conheço e o meu cantava várias vezes, até aprender pra sempre, igualzinho tem que ser. Um dia inteiro, se eu pusesse ter, para lavar-me do ranço dos meus meios dias. Se eu tivesse mais um dia, ouvia as suas músicas todas. E depois mais outras músicas, todas as que você tem achado bonitas. Você sempre tem razão nas músicas que canta. E depois conversa. E depois poemas. E depois um silêncio inteiro, até eu ter que voltar. 

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