quando sair videossonho eu nunca mais vou ao cinema, nem ler livro eu não vou, nem propaganda eu vou ver, desenho ou minissérie em quatro capítulos, o que dirá novelas, não vou não, não vou ler poesia de porcaria nenhuma, nem porcaria de poesia nenhuma, nem música com letra eu vou ouvir, assim, prestando atenção, nem redação eu vou ler, nem de filho, de sobrinho, nem de prova de vestibular, nada, só vou assistir videossonho. de criança, de velhota, de mendigo, de serralheiro, médico, secretária. de traumatizado de guerra, de professora de português, sonho de judeu, de índio, de pomerano, de esquimó, de empregada doméstica, vou ver sonho da minha mãe, da mãe do meu melhor amigo, da mãe da minha mãe e da mãe do pai dele. sonhos da minha cadela, da moça da padaria, da gata que ainda vou ter, de um qualquer australiano, chinês, tailandês, chileno, sonhos da talita, minha prima, sonho de gente doida, gente boa ou infeliz. e nunca mais ilusão, nunca mais ver um verniz, nunca mais uma rima que não seja do acaso.
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