eu paro ( , ) num instante imediato entre o se e a aceitação. é o único lugar onde a dor não chega. o pensamento não pode conceber este lugar, que é terra fértil apenas para sementessentimentos, apenas para o que não foi ensinado nem moldado, para o que não nasce nem morre. sem pensar vejo tudo, compreendo tudo e nada me falta. num instante, ninguém se foi e eu mesma nunca partirei, cuspindo ressentimento de injustiça. não há amargura nem culpa nem terror nem tristeza. o que sinto aqui não me é possível sentir em outro lugar, não tem nome, nem humanidade. tranquila, vejo outros seres que não me cabem compreender, analisar, temer, julgar. entrego-me para sentir - da forma como sentia antes de conhecer meu primeiro medo - que para lá deste aquário, outras tantas águas há. outros rios, outro mar, outras entranhas. outra imensidão de espera em gestação, concebida em outra forma de inteligente inexatidão, outros infinitos ses em eterno conflito, insondável continuação.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário