eu gosto um pouco de fazer silêncio. às vezes, quando tenho é que falar. depois, quando quero falar, pode ser sozinha, eu não me importo, embora fosse bom me importar. faço-me boa companhia, não esquento com solidão, até gosto, mais até do que devia, mas quando eu quero estar mais que ao meu lado, piro. invento gente, se não tiver jeito. e quem chegar eu aceito, venha com o assunto que vier. quando meu silêncio berra, vem o mundo todo perto, passando do peito para os braços, para o cheiro dos os abraços necessários, embolados de querer. um milhão de instantes num meio segundo, que aproveito 
bem. tantos anos longe e eu só me aguento, porque tenho dentro um mundo a postos, sempre pronto pra me dar um jeito.

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