eu já vi o amor, eu sei como ele é. quando eu o vejo, eu o reconheço, quando ele está perto, eu o sinto. eu já vi o amor e sei como ele é. ele é alto, muito alto, do tamanho de uma árvore, quase, daquelas cujos troncos transformam-se em outros troncos, cujas moitas de folhas transformam-se, cada uma, numa copa, cujos frutos pendem, abundantes, cuja vida se renova sempre e sempre e sempre e outra vez, para sempre. uma árvore daquelas que a gente olha naqueles parques mais antigos das cidades e elas parecem monstros, se a gente imaginar seu crescimento até ali e depois dali como um fenômeno infinito e acelerado no tempo em relação à percepção humana. se eu bem conheço o amor, bem sei do que é capaz com seu tempo de árvore e suas monstruosas proporções. eu já vi o amor em muitas vidas e sempre soube o que veria. nasci com o amor algumas vezes e noutras cedo, às tantas ou finalmente, eu o revi pelo caminho. o amor nunca pulou uma vida, que eu saiba. para saber, o amor tem cheiro de cabelo limpo ou de baunília e canela, depende. dependendo também pode ter cheiro dentista, mas isso eu só acho. certo é que eu sei o amor. eu já o vi. por isso estou tranquila.
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