18:51 e eu estou na cama, paralítico. as horas passam sem dó, sem nada, devendo sua existência a tudo o que se mova, as horas escravas de tudo que não é o tempo.

solitário. no início, são apenas 7 cartas à mostra, cada uma escondendo suas possibilidades ou impasses. no canto superior esquerdo está o destino, está a estrada toda, todos os outros tabuleiros, todos os outros jogos, acontecendo simultaneamente, sem o nosso conhecimento, até que um nosso desencaixe quebra a fluidez da sorte exposta e recorremos a uma peça de vida do mundo que nos aguardava desconhecido, mas não imóvel, embora seja esta a impressão. é fato que alguma atenção e inteligência são importantes, mas o acaso é muito mais forte do que qualquer habilidade. e no fim, num jogo travado, sem saída, sem que as peças, os números, o amor, a riqueza, a guerra ou a natureza nos possam ajudar ou mesmo que esgotemos, por ordem de importância todas as possibilidades, gozando astutamente das oportunidades, acabamos no mesmo, sem a noção do tempo que se foi, sem o gosto de vitória, nada. apenas as horas contam, infinitamente, os acontecimentos realmente relevantes, contam para si, numericamente, sem processar os sentimentos. as horas, todas elas que já foram, rijas, impacientes, as mesmas que virão depois do fim de todos os jogos e além, no fim de todos os tabuleiros, não contarão nunca o seu segredo, jogador, meu o meu, a ninguém. paciência. 




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